Sexta-feira, 17 de Novembro de 2006

 

 
IT32441.jpg

  

Do teu passado não tenho ciúmes.

 

Vem com um homem

às costas,

vem com cem homens nos cabelos,

vem com mil homens entre o peito e os pés, vem como um rio

cheio de afogados

que encontra o mar furioso,

a espuma eterna, o tempo!

 

Trá-los a todos

ao lugar onde te espero:

estaremos sempre sós,

estaremos sempre, tu e eu,

sozinhos sobre a terra

para começar a vida!

 

Pablo Neruda

 

 

 



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Quinta-feira, 16 de Novembro de 2006

 

 

 

            No jardim, no quintal, a figueira ao cantinho das escadas, onde me sento dia após dia, durante horas, a ver as sombras do muro e da nogueira no jardim, o contorno das ramadas das carvalhas, o vulto das árvores, a noite a subir gradualmente no Arsaio e a engolir a cruz, o chão da forca.

            Subo o balcão, muito cansado, tão cansado, que depois do jantar deixo-me ficar deitado no sofá da sala, um pouco sombria, quase às escuras. Pela janela o contorno negro dos cedros das Portas, e no intervalo deles, o disco vermelho do sol a descer. Pego num dos livros do meu pai sobre ervanária, para matar o tempo, e leio durante uns minutos.

            Na sala a escuridão avança, enquanto lá fora o dia expira, até que me levanto e vou à varanda, de onde, avisto o contorno do castelo cada vez mais ténue, a agulha da torre que se apaga por cima dos telhados das casas e dos quintais, pouco a pouco. O muro da casa ainda está quente dos raios do sol. Arrasto uma cadeira e durante uns breves dez minutos fico sentado na varanda, os membros exaustos, olhos cansados, a despedir-me do dia.

             As roseiras, espalhadas pelo canteiro do furo, ganham uma súbita tonalidade azul, depois vão-se apagando devagar, muito devagarinho, à medida que a luz se lhes vai escapando. Sem que me apercebesse, o verde da figueira e da nogueira transfigurou-se em negro e a crista dos montes desapareceu. A iluminação pública acendeu-se. Lá em baixo no caminho dos regatos, mesmo na orla da aldeia, passa um vulto de enxada ao ombro.

            Regresso para dentro e acendo a luz. Abro de novo o livro numa página à sorte. Uma borboleta esvoaça pela sala, paira no ar com um leve bater de asas e vai bater no vidro do candeeiro do tecto.

            Com novo esvoaçar, desaparece pela janela, para escuridão da noite. Com ela vai todo o mistério da criação, toda a sua magia, toda a sua maldição.

           

 



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Quarta-feira, 15 de Novembro de 2006

 

 

 

 

 

            Não tardará o Inverno aqui. A floresta despedir-se-á por completo e a erva vicejará nas clareiras, as sombras da noite virão mais cedo. O calor da lareira saberá de novo bem e a roupa do corpo cheirará a fumo. Não tardará a ser Inverno, novos sons nascerão na floresta, os animais hibernam, o cheiro a mofo das folhas caídas, a nudez arrepiante das galhas, o verde do musgo que brota do chão, estará mais intenso pelo Natal. E também o pio da Coruja se calará.

 

 



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Transparência cristalina da água

Da fonte,

Sombra azul do cedro

No caminho,

Verde campo de oliveiras

A perder de vista,

Cravos vermelhos à janela

Entreaberta,

Brancas cortinas de renda,

Aos folhinhos,

Vidrinho amarelo de perfume,

Cheirando a rosas,

Eis as cores e lugares

Possíveis do amor.

 

 

 



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Terça-feira, 14 de Novembro de 2006

 

 

 

  

Isabel Valério, de pantufas

Pretas, negros os gatos,

O panal de altar sobre o louceiro,

Toalhas de linho alvo herdadas

Desprendida até ao osso, nos teus noventa anos,

Vasos de sardinheiras e manjericos

No friso das janelas

E do balcão.

 

Na salinha, o armário de canto

Guardava a caixinha de bolos

E o licor de ginja,

Para o “teu doutor”.

E da grande laje do quintal

Ouvia-se o cantar do Côa lá em baixo,

Soava o apito do comboio

No apeadeiro da Miuzela

E eu dizia adeus, abraçava a gente

Que o vento me trazia.

E eras tu, quem me levava,

Já meio atordoado,

Pela mão às portas do paraíso.

 

 

 



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Segunda-feira, 13 de Novembro de 2006

 

 

(foto de José Velente)

 

 

 

            Perdi uma boa parte do dia no quintal. Ao fim da tarde saí. Desci pelo churrião, em direcção ao rio e resolvi subir a um ponto do Arsaio, na outra margem. Aí, frente à nossa aldeia, fica uma encosta íngreme, coberta por lameiros e freixos, que desce a pico sobre uma ravina. Desse lugar vê-se o lado oriental da nossa aldeia, uma série de casas em granito sobre uma escarpa, com telhados em telha velha, de um vermelho já desbotado, diversas amendoeiras e nogueiras a despontarem dos muros dos quintais, aqui e ali, uma chaminé a fumegar, algumas peças de roupa, estendidas a secar. Mais acima a igreja, o cedro do cemitério, a torre de menagem, a ruína  da Senhora do Castelo, a torre de menagem.

            Tinha ainda umas duas horas de sol, e este foi descendo vagarosamente sobre os campos da correia, na direcção de Porto-de-Ovelha e a luz sobre os telhados e muros foi-se tornando mais amarelecida, mais intensa e dourada. Antes de me sentar, fitei por momentos o Vale da Lapa, até à folha do Côa, as colinas distantes, em primeiro plano os carvalhos do Pombal, e o caminho do Pindelo com profundos sulcos escavados pela água, e depois observei a nossa aldeia, aquele ninho aconchegante onde todos os traços de telhado, todas as empenas, todas as chaminés, me eram familiares. Mesmo por baixo do adro, um telhado, anteriormente de um castanho-escuro, foi agora recuperado e apresentava um tom mais avermelhado. Era a casa do Seixas, com aquele terraço aberto sobre a Travessa das Moreirinhas, onde exibe uma antiga estela funerária. Ainda não me tinha apercebido, mas ele reparou o telhado inteiro no último Verão. Um pouco mais ao lado a casinha do Manuel da Malhada, térrea, sem telhado ainda, mas com antena de televisão. Divorciou-se e já não a concluiu.

            Algumas das casas, já têem os telhados arruinados. Todas elas pertenciam a alguém, foram construídas por alguém, alguém que viveu, comeu, dormiu, fez, teve e criou filhos e morreu lá dentro. Mas já há muito as suas chaminés não fumegam. Apenas resistem as árvores nos pequenos quintais, os pequenos prados, as últimas cepas de vinhedo, as últimas cerejeiras, que já ninguém sabe a quem pertencem.

            O que os poucos e últimos habitantes vêem nas suas casas e quintais, não consigo eu ver daqui. Que o mosto fermentou e é preciso atestar a pipa, que a latada perdeu toda a rama, que a chaminé não puxa o fumo, a escava-terra mina o cantinho dos alfobres, o porco ceva para a matança, tudo isso eu não consigo ver daqui. Mas aquilo que eu vejo da nossa aldeia, outros não conseguem ver.

            Ninguém vê o verde característico da figueira que nasceu no corta-águas da ponte, a suavidade do calor a subir nos telhados, por entre as copas das nogueiras, o verde-salsa da casa do Zé da Laura contrastando no cinza granítico dos muros da Mundanha, a branca agulha da torre sineira a furar a imensidão azul do céu, a graça com que o cedro do cemitério interfere com o amrelo-ôcre da torre de menagem. Ninguém repara como lá em baixo, nas veigas e hortas junto ao rio, o amarelo dourado do entardecer é mais profundo e se distingue perfeitamente da faixa azul das colinas que se erguem lá para as bandas do Carril. 

            Ninguém percebe, a não ser eu, que é precisamente a esta hora do pôr-do-sol, que a alma das coisas se desprende e o jogo das cores se torna mais vivo e aprimorado, que a qualquer outra hora do dia.

           

 



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Ainda ontem me detive, pai

Às tuas roseiras vermelhas.

Ali estão elas, junto ao tanque

Viçosas ainda, nas últimas pétalas.

A nogueira, maior ainda,

Estendeu os braços sobre o muro,

O pé de alecrim, ganhou roda,

A figueira já passou da varanda.

As macieiras, as oliveiras,

Não esqueci um dos teus recados,

É preciso limpá-las.

A mãe pergunta insistentemente

Quando podamos as árvores do quintal,

E sem tempo para nada,

Vou adiando, adiando, como sempre.

 

 

 



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Sexta-feira, 10 de Novembro de 2006

 

 

 

            Hoje, chegou no correio uma carta do seminário. Trazia em nota de rodapé: “com um abraço de sinceros parabéns, elevo ao Senhor as minhas preces pelo querido aniversariante, a quem desejo vida longa e feliz!” e uma assinatura do meu velho professor de português, Padre Mário.

            Voltei aqueles tempos. Ao velho seminário onde passei a juventude, aos bosques e jardins da minha adolescência.

            Vejo a fachada branca de dois pisos, com muitas janelas, erguendo-se teimosamente e lançando grandes sombras sobre a minha juventude. Passados tantos anos, sorrio e não consigo conter o bater acelerado do coração, quando recordo a colunata, o jardim com as laranjeiras, os campos de futebol, a capela, o refeitório, a sala de estudo, as sessões de cinema. Confesso que muitas vezes sinto vontade de rever aquele sítio dos meus primeiros sonhos, o local de nascimento dos primeiros poemas.

            O Seminário fica no vale, num sopé da Gardunha, imenso, rodeado das sombras da mata. Muitas vezes passei naquela mata, ouvindo o chilrear dos passarinhos, compondo em segredo, os meus primeiros versos. Muitas vezes, angustiado pelas saudades, palmilhei os extensos corredores, sozinho, escutando apenas o ruído dos meus passos e o som cantante do repuxo no tanque do jardim, ou a água a cair da torre do depósito.

            Que saudades das noites em vigília nos grandes dormitórios, a pensar no futuro, imerso nas fantasias poéticas e em todos os anseios da juventude. Os meus humores naquele tempo eram comandados pelos momentos de silêncio, a que me abandonava, quando após a hora de almoço, me dependurava no muro da cerca olhar em redor, a extensão da planície, e para lá dela, os campos imensos até ao maciço da Estrela. Para lá ficava o resto do mundo, a liberdade; e perto, mesmo a escassos metros, o caminho-de-ferro, que me levava para longe, encurtando distâncias. Para além ficavam os amigos que tanta falta me faziam, o ar puro da minha terra, a casa paterna.

            Quantas vezes descia o muro de coração pesado e alma dorida. Quando atravessava o campo, encontrava os meus camaradas a jogar à bola ou entretendo-se à sombra dos telheiros. Então eu próprio pegava na bola e saltitava diante de todos os que estavam no campo, alvoroçado, corado, o mais rápido e selvagem de todos.

            Ao Sábado tínhamos umas horas para lermos o que quiséssemos. Durante toda a semana ansiava por estes momentos de “tranquila ocupação”. Sentava-me a ler Eça, Júlio Dinis, Namora, Quental, Camilo, Junqueiro, João de Deus, Pascoais,   Balzac, Zola, Tolstoy, alguns deles às escondidas, e bebia prodigiosamente o cálice da fantasia. Estas horas iluminadas pelos escritores e poetas, cheias de recolhimento e consolo, eram o secreto consolo daqueles dias submersos. 

 

 

 



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É Verão de S. Martinho, mas já

As folhas da nogueira enferrujam,

Lhe caem as nozes.

Murcham as folhas, tremem os ramos

Advinhando o Inverno que se aproxima.

E os pardais transidos de frio,

Nos ramos já despidos

Encolhem as asas,

Dormem,

Sonham. 

 

 



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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2006

 

            

            Lá seremos uma "profissão maldita"… mas livre! Não resisto em recontar aqui uma anedota, bem ilustrativa do que digo, contada em primeira-mão por Raul Brandão:

            Na transição do séc. IX para XX, teve banca em Lisboa um célebre advogado chamado João Penha. Era surdo que nem uma porta e manteve, segundo Brandão, uma grande lucidez de espírito, até aos últimos dias.

            Um certo dia, já na velhice, “alguém conhecido encontrou-o no Bom Jesus. João Penha chamou-o de parte, com resguardo:

            - Você vê aquela carvalheira, acolá… – e mais baixinho – Está apaixonada por mim.

            -Ora!..

            - É o que lhe digo. Quando passo, zás! Atira-me com uma landre. Quer ver?...

            Agarrou-lhe no braço e levou-o para baixo do carvalho. Uma landre caiu.

            -Ouviu? – Perguntou ele alvoroçado.

            -Ouvi. Caiu, mas foi no meu chapéu.

E o João Penha, voltando-se para trás para a árvore, exclamou, indignado:

            -Ah grande bêbada!...”

 

             Qual o espírito livre, que conseguiria sonhar assim? Vá, digam-me!

 

 

 

 



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            Eram duas da tarde. Dava a última vista de olhos aos autos do processo, na sala de advogados. Os meus documentos estavam em cima da mesa, o código ao lado, aberto, e a toga nas costas da cadeira. De repente, gritos.

            -Chegue-se para lá, espertinho!

            -Chegue-se você. Eu estou bem aqui!

            Assomo à porta. Dois colegas discutiam acaloradamente no átrio. O mais velho e baixinho estava muito zangado. Você não me trata assim! – Gritou. – O Colega está a ofender-me! Não lhe admito!

            O mais alto e magro ficou pálido. – Isso não lhe admito eu a si!

            -Você não devia ter dito aquilo no gabinete do Juiz. Retire o que disse!

-Uma gaita é que retiro- E esticou o dedo indicador mesmo debaixo do nariz do outro-  Uma gaita, ouviu?

-Retire o que disse, ou vai arrepender-se!

            - Ai vou? – Gritou. - Seu … – apercebendo-se de testemunhas, já não concluiu.

            A um canto dos “passos perdidos”, outro colega, meu conhecido, falava com os clientes. Fiz-lhe sinal e avançamos para os dois contentores.

            - Tenham calma, não vêm o escândalo? – Contrapusemos, apaziguadores - vá lá, acalmem-se, vá lá…colegas. Então?

            Durante um instante, ficaram os dois em silêncio, fitando-se ameaçadores. Depois tudo se recompôs, ânimos serenados, cada um para seu lado. Mas o aperto de mão, sugerido, ninguém o deu. Um deles, ao descer a escadaria, ainda se virou e ameaçou o outro com o punho cerrado.

            Nós, os advogados, somos mesmo assim: Uma “profissão maldita”, sem redenção mesmo!

 

 

 

 

            



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Quarta-feira, 8 de Novembro de 2006

 

 

 



publicado por Manuel Maria às 10:43 | link do post | comentar

 

 

 

Os barcos ancorados dos teus ombros

Soltam as amarras do meu corpo.

Mas quem parte sou eu,

Eu que tenho alma estrangeira

E coração de bússola,

Eu que fiz do próprio sangue

Uma corrente do golfo.

 

Albano Martins

 



publicado por Manuel Maria às 10:40 | link do post | comentar

 

 BenLomond.jpg

 

 

 

Um dos melhores tempos da minha vida, foi aquela quinzena que passei com o meu pai no cimo da Serra em meados de setenta. Ainda hoje me recorda o branco dos rebanhos no verde dos pastos, a música das águas nos riachos, o perfume da urze nas colinas, as rochas perfeitamente visíveis no fundo dos lagos, o calor tórrido dos dias, as noites gélidas.

Estávamos hospedados na pousada, mas preferíamos passar os dias a pescar, dormindo ao relento, nos abrigos dos pastores, com o silêncio dourado das estrelas sobre nós e do clarão do luar em Junho. Há tempos felizes assim… tempos em que o pormenor de um cheiro, de uma flor, de um rumor, se nos entranha na alma para sempre e nunca mais se apaga… às vezes é um pequeno nada, esse momento de êxtase.

É que “o homem sozinho -como diz Raul Brandão – está mais perto de Deus e das coisas eternas”. E os passos de Deus caminhando juntinho a nós – digo eu – nunca mais os esquecemos.

 

 

 



publicado por Manuel Maria às 10:29 | link do post | comentar

Terça-feira, 7 de Novembro de 2006

 

 

 

 

E se de repente

Um rio

Corresse entre

Os meus dedos

E o teu corpo

Fosse 

Um barco?

 

 

E se de repente

As palavras que te digo

Fossem

Remos?

 

 

 



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