Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

 

 



 

I

Desespero

 

       A ME proclama aos quatro ventos para quem a quiser ouvir, que os sindicados “rasgaram” o memorando de entendimento sobre avaliação já assinado e em vigor. Mas a verdade é bem diferente:

       Na reunião, a ME apresentou um ultimato; ou a FENPROF assinava o memorando, ou os professores contratados não eram avaliados, ficando impedidos de concorrer no próximo ano lectivo. “Tout court”!

       A FENPROF, para não prejudicar os seus associados mais fracos, não teve outro remédio que não fosse assinar sobre reserva, ditando um texto adicional ao memorando em que se comprometia a lutar contra o modelo de avaliação que iria subscrever.

       Ora, qualquer pessoa minimamente informada em direito sabe, que um contrato assinado sobre coacção é anulável dentro do ano subsequente à cessação do vício.

       E qualquer pessoa minimamente informada em direito sabe também que uma declaração sob reserva mental é uma declaração não séria, com os mesmos efeitos da simulação, isto é, ferida de nulidade invocável mesmo entre as partes a todo o tempo.

       A FENPROF rasgou o famigerado memorando? E de que é que a ME estava à espera, depois de coacção e de reserva mental tão descarados?

       Ajudem-me, que sou fraquinho de cabeça; a senhora tem mais de burra ou de mau carácter? Ou é só desespero?


 


 


 

II

Sem Vergonha

 

       Depois de uma longa maratona de inquérito na comissão parlamentar de finanças, um deputado da oposição perguntou ao governador do Banco de Portugal se, perante tudo o que ficara patente, “ainda achava que tinha condições para ocupar o cargo” .

       Pergunta inútil, é mais que evidente!

     O ordenado chorudo de um governador, com todas as alcavalas inerentes, designadamente reforma milionária, despesas de representação e indemnização no caso de destituição, é lógico que são “condições” supimpas para o cargo!

        E a resposta, não tardou, audível: “Claro que sim”!

       Mas também, que resposta se esperava de quem perde o tempo que lhe pagamos, a confabular sobre as vantagens ou desvantagens da energia nuclear?

 


 


 

III

A face de Jesus

 

       O Hospital de S. José, num acesso febril de produtividade, cujos resultados não se vêm, impôs como objectivo para o capelão, um número mínimo de visitas aos doentes.

        E porque não, já agora, de extremas-unções, confissões e velórios; pergunto eu?

       O trabalho de um capelão é o mais humanitário e importante de um hospital, porque trata do conforto espiritual dos doentes, que muitas vezes é meio caminho andado para a recuperação do corpo. Não é mensurável, porque tem a ver com as coisas do espírito. E é tudo!

       O capelão em causa, porque é um homem de fé e de valores, demitiu-se sem pestanejar, mandando às ortigas o salário mais as alcavalas inerentes!

        Mas conhecendo a generosidade de alguns capelões, aposto que este continua a fazer as visitas mesmo sem o salário e as alcavalas de que prescindiu!

  

 



publicado por Manuel Maria às 15:03 | link do post | comentar

1 comentário:
De ana a 13 de Novembro de 2008 às 00:13
Salva-se o capelão!

Para termos a garantia de que nem tudo está podre.


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