Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

 

 

  

Sou uma árvore.

 

Uma árvore que viveu

Na orla da floresta

Estendendo seus braços

Sobre o caminho.

 

Sou uma árvore.

 

Uma árvore que viu

 Vezes sem conta

A fina areia a esgotar-se

Na ampulheta do tempo

E as registou,

Uma a uma,

Nos anéis da sua alma

Para lembrar cada uma das Primaveras,

A época feliz dos sonhos e das flores

Em que os pássaros vinham,

Em bandos,

Fazer os ninhos

Nos meus braços.

 

Sou uma árvore.

 

Uma árvore que desanima

Porque subindo em altura

Lhe é cada vez mais penoso

Juntar forças

Para ir buscar a seiva à terra

E levá-la

Às mãos distantes.

 

 

Sou uma árvore

 

Uma árvore

Que morre.

 

Lenta, lentamente

Morre

À beira do caminho

Porque os pássaros, pressentindo

O influxo do sangue aos braços

E o gélido torpor da morte

Levantam voo

E vão fazer o ninho

Noutras paragens.

 

Sou uma àrvore.

Uma àrvore que morre...

 

Lenta, lentamente,

Morre.

 

 

 

 



publicado por Manuel Maria às 09:30 | link do post | comentar

6 comentários:
De urze a 9 de Abril de 2008 às 10:56
Hummm, há séculos que não te visitava: lindo este look primaveril.
Morrem lentamente árvores, rios, aves... enquanto não percebermos que a Terra é ela também um ser vivo e que não estamos a conseguir viver em sintonia com ela, comprometendo a nossa própria sobrevivência.
Quando te entrego os chocolates?!
Bjs


De ana a 10 de Abril de 2008 às 14:32
Sou uma árvore.
Uma árvore que desanima
........
E, contudo, sabemos que o sol vai aparecer e o céu vai ficar azul e os pássaros passarão em bandos.

Temos em nós uma Fénix.


De Manuel Maria a 11 de Abril de 2008 às 11:14
Mas não poisam...


De ana a 11 de Abril de 2008 às 14:55
Um dia, quando menos se espera, poisam e ficam, fazem ninho.

Há um ninho de melro no meu jardim; volta e meia, vejo-o a saltitar e dar corridas sobre a relva.


De chanesco a 12 de Abril de 2008 às 00:27
Meu caro Manuel Maria

Há tempos que por aqui não passava, mas valeu a pena.
Este post é um soberbo poema servido em dose dupla. O poema propriamente dito e a fotogafia/imagem que é um hino à arte.
Sim senhores, magnífico!!!

Um abraço para Vilar Maior


De Jofre Alves a 13 de Abril de 2008 às 02:52
Passo sempre com agrado para ver e apreciar este blogue sempre de grande qualidade, tal como diz o poema, a buscar «forças para ir buscar seiva à terra». Boa semana.


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