Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

 

 

  

 

Era um Medo muito medroso:

 

            Era um Medo tão medroso, que tinha medo por tudo e por nada. Apesar de já ser um Medo adulto e de “barba rija”, assustava-se com a própria sombra na rua, pelo que andava sempre colado aos muros dos prédios; alarmavam-no as tempestades de relâmpagos à noite, das quais se escondia debaixo das mantas; evitava falar à vizinha do rés-do-chão para não fazer ciúmes ao sujeito do 2.º Esquerdo; subjugava-se ao chefe de secção lá no trabalho, que lhe distribuía pilhas e pilhas de processos sem que protestasse, só para que não lhe desse ainda mais trabalho; receava os dentes do cão da velhota do 318, ao fundo da rua, que o obrigavam todas as manhãs de Sábado a saltar o quiosque do bairro para ir comprar o Expresso três quarteirões adiante, perdendo a hora de almoço; e tinha medo de um ror de coisas mais, tão insignificantes, que seria exaustivo e doentio enumera-las também aqui.

 

            Mas só para que fique a ideia,

            Era um Medo tão medroso, que ao chegar da rua, se trancava no guarda-roupa do quarto, horas a fio às escuras, a roer as unhas e tremer dos joelhos como “varas verdes”, sem saber porquê.

 

            Em suma…

 

            Era um Medo tão medroso,

 

            Que até metia medo!

 

           

            Tanto…

            Que ninguém se lembrava de o procurar

            No Guarda-roupa

            Lá do quarto.

 

 

 



publicado por Manuel Maria às 13:52 | link do post | comentar

1 comentário:
De ana a 5 de Novembro de 2007 às 16:18
Tamanho medo é não ser! É ter desistido.
É estar conformado e morto previamente.


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