Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

 

 
 
Ponte de Sequeiros, Limite do meu antigo concelho de Vilar Maior (reino de Leão) com Portugal.

 

 

 Vou por esses campos adentro,

por entre maias e rosmaninho,

em cima da minha "bike" nova.

 

À barreira da "Ponte-da-Guarda",

desmonto e sigo a pé.

Levanta-se um coelho numa cova

da horta do Zé da Cruz

e atravessa, de um pulo, o caminho.

Ao fim da subida

monto a "bike" novamente

deixando a sombra no alcatrão quente.

A meio da pequena descida,

uma pedra ao alto levantada:

Ali mergulhou o Agostinho

na sua velha motorizada.

"Ó vós que aqui passais

-diz a inscrição-

tende piedade da sua alma

e rezai um padre nosso e uma avé Maria".

Persignamdo-me, sigo adiante,

passando a ribeira,

que vai cheia,

e com enrome esforço de pernas,

 dando à roda pedaleira,

as crejeiras do Ti Pascoal,

o depósito da àgua

 e ao cemitério,

 pergunto ao homem do tractor:

 

-Amigo, para a "Ponte Sequeiros", qual é o desvio?

-À saída, na curva, vire à esquerda e siga o rio.

 

A sede aperta,

encosto a "bike"

e entro no café.

Ao segundo copo

Já querem saber de onde sou.

Respondo:

 

- De longe... de muito longe...

 

E como ali vim dar.

Divago:

 

-No vento... vim no vento!

 

Seguindo caminho,

 agora sempre a descer,

lameiros e freixos de um lado e de outro,

-Lá está a curva e o desvio-

começa a chover,

abre-se o arco-íris

sobre os montes em redor.

O caminho trona-se ruim,

Sigo a pé então,

e mais adiante, enfim,

surge a ponte com o seu torreão.

 

Um rebanho desce a enconsta sobranceira

e pergunta-me o pastor:

 

-De onde é voçê, amigo?

 

E eu respondo:

 

-De longe... de muito longe...

 

-E vai para onde?

 

-Para onde me levar o vento...

Vou no vento...

 

E ele -estou ainda a vê-lo- de cajado, encostado ao muro:

 

-Não vai não, amigo...

que traz um furo

no pneu!

 

 

 

 



publicado por Manuel Maria às 11:05 | link do post | comentar

1 comentário:
De t.a. a 28 de Maio de 2007 às 14:16
Imprevistos!


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