Quinta-feira, 5 de Setembro de 2013

 

 

Hermann Hesse (Calw, 2 de julho de 1877Montagnola, 9 de agosto de 1962) , Nobel de Literatura em 1946, é dos meus autores favoritos, porque a sua obra tem uma espiritualidade e filosofia próprias de influência oriental, pacifista e ecologista.

Acabei de ler dele a Viagem ao País da Manhã, Edição/reimpressão: 1999 Páginas: 96  Editor: Edições Asa ISBN: 9789724114385 Coleção: Pequenos Prazeres, de que a Editora Caminho também tem uma edição.

            O prefácio e a nota de contracapa dizem tratar-se de uma obra alegórica e poética de leitura hermética, ficando-se por aqui na explicação da mesma. Desconheço se existe algum estudo sobre a interpretação desta obra de Hermann Hesse, escrita em forma de enigmas e símbolos, mas que não é nada hermética para quem tenha certo tipo de conhecimentos.

            O relato é o de uma viagem alegórica de um grupo de uma misteriosa Ordem ao País da Manhã, que geograficamente é onde nasce o Sol, isto é, a Luz, o Oriente.

Este Oriente não é geográfico, mas simbólico, porque a viagem também não é física, mas de autoconhecimento depois de uma iniciação.

Por isso é que o autor refere logo no início a prova pelos três elementos Ar , Terra e Fogo a que foi sujeito, correspondente à cerimónia de iniciação, e da necessidade do hermetismo no relato desta viagem, por estar obrigado ao dever de sigilo imposto pela Ordem.

Mas o autor levanta a ponta do véu, para quem saiba ler nas entrelinhas:

São adeptos e irmãos desta Ordem muitos personagens do domínio da História, das artes e dos próprios escritos de Hesse, como o pintor Paul Klee, poeta suíço das relações do autor e rosacruciano; o pintor Klingsor, personagem de um conto de Hesse, com o nome simbólico do personagem do mesmo nome de uma fábula Rosacruz; o poeta Lauscher, heterónimo de Hess num livro de poemas de 1900; ou o barqueiro Vasudeva, personagem de uma lenda indiana e de tradição Rosacruz; bem como o próprio Hermann Hesse, que é protagonista nesta viagem em concreto.

Não podendo ir mais longe do que o autor na revelação do segredo, deixo aqui apenas algumas pistas, para quem quiser ler a obra e aprofundar conhecimentos:

A Ordem “estuda” em diversos grupos espalhados territorialmente, mas sob uma única obediência; a reunião desses grupos faz-se em grandes acampamentos; referência ao desaparecimento do manuscrito que serviu de fundação aos Rosacruzes e a lenda do seu enterro no sepulcro desaparecido do seu fundador, Christian Rosenkreuz; a prova de readmissão num grau superior perante os grandes oficiais; a revelação de alguns graus superiores da Ordem, sob a forma de anagrama.

Posto isto, a chave do enigma:

Esta obra relata de forma hermética e simbólica a experiência Rosacruciana do autor, posterior à primeira grande guerra e no seguimento dos movimentos espirituais que se lhe seguiram, o seu afastamento temporário da Ordem dos Rosa-Cruz, a sua readmissão num grau superior, e a mística da fraternidade universal do movimento Rosa-Cruz.

Hermann Hesse fala na sua viagem ao País da Manhã. Leal Freire no belo poema Prece, que já analisei sob o título A Linguagem Poética de Leal Freire, canta o destino da vida, que consiste em alcançar a terra natal enquanto pátria da Alma Peregrina que regressa a casa, ao «húmus da Terra-Mãe».

Ambos os poetas sabem onde reencontram a essência das suas Almas Peregrinas: O circuito solar da Alma de um completa-se no País da Manhã; a do outro, quando a Sombra da «Noite» se diluir outra vez na luz difusa da «Manhã».

No fundo, a vida de todos os homens superiores é uma mesma viagem iniciática de autoconhecimento, que podendo divergir no caminho escolhido, tem sempre o mesmo destino:

O regresso à Luz Primordial…

… Porque todos são filhos da mesma Luz!



publicado por Manuel Maria às 20:11 | link do post | comentar

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