Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

   

 

     Aqui deixo um extracto da fala entre a cigana Preciosa e o pagem Clemente, personagens da novela «la Gitanillha» de Cervantes, sobre o conceito de poesia, e que vale a pena ser lido:

 

    [...]«-Pues la verdad que quiero que me diga -dijo Preciosa- es si por ventura es poeta.

     -A serlo -replicó el paje-, forzosamente había de ser por ventura. Pero has de saber, Preciosa, que ese nombre de poeta muy pocos le merecen; y así, yo no lo soy, sino un aficionado a la poesía. Y para lo que he menester, no voy a pedir ni a buscar versos ajenos: los que te di son míos, y éstos que te doy agora también; mas no por esto soy poeta, ni Dios lo quiera.

     -¿Tan malo es ser poeta? -replicó Preciosa.

    -No es malo -dijo el paje-, pero el ser poeta a solas no lo tengo por muy bueno. Hase de usar de la poesía como de una joya preciosísima, cuyo dueño no la trae cada día, ni la muestra a todas gentes, ni a cada paso, sino cuando convenga y sea razón que la muestre. La poesía es una bellísima doncella, casta, honesta, discreta, aguda, retirada, y que se contiene en los límites de la discreción más alta. Es amiga de la soledad, las fuentes la entretienen, los prados la consuelan, los árboles la desenojan, las flores la alegran, y, finalmente, deleita y enseña a  cuantos con ella comunican.

     -Con todo eso -respondió Preciosa-, he oído decir que es pobrísima y que tiene algo de mendiga.

     -Antes es al revés -dijo el paje-, porque no hay poeta que no sea rico, pues todos viven contentos con su estado: filosofía que la alcanzan pocos. Pero, ¿qué te ha movido, Preciosa, a hacer esta pregunta?

     -Hame movido -respondió Preciosa- porque, como yo tengo a todos o los más poetas por pobres, causóme maravilla aquel escudo de oro que me distes entre vuestros versos envuelto; mas agora que sé que no sois poeta, sino aficionado de la poesía, podría ser que fuésedes rico, aunque lo dudo, a causa que por aquella parte que os toca de hacer coplas se ha de desaguar cuanta hacienda tuviéredes; que no hay poeta, según dicen, que sepa conservar la hacienda que tiene ni granjear la que no tiene.

      -Pues yo no soy désos -replicó el paje-: versos hago, y no soy rico ni pobre; y sin sentirlo ni descontarlo, como hacen los ginoveses sus convites, bien puedo dar un escudo, y dos, a quien yo quisiere. Tomad, preciosa perla, este segundo papel y este escudo segundo que va en él, sin que os pongáis a pensar si soy poeta o no; sólo quiero que penséis y creáis que quien os da esto quisiera tener para daros las riquezas de Midas»[...]

 

     «La Gitanilla» Miguel de Cervantes

 



publicado por Manuel Maria às 16:40 | link do post | comentar

Terça-feira, 7 de Setembro de 2010

 

 

  

[…]Amada pastora mía,

tus descuidos me maltratan,

tus desdenes me fatigan,

tus sinrazones me matan.

5

A la noche me aborreces

y quiéresme a la mañana;

ya te ofendo a medio día,

ya por la tarde me llamas;

agora dices que quieres,

10

y luego que te burlabas,

ya ríes mis tibias obras,

ya lloras por mis palabras.

Cuando te dan pena celos

estás más contenta y cantas;

15

y cuando estoy más seguro

parece que te desgracias.

A mi amigo me maldices

y a mi enemigo me alabas;

si no te veo me buscas,

20

y si te busco te enfadas.

Partíme una vez de ti,

lloraste mi ausencia larga,

y agora que estoy contigo

con la tuya me amenazas[…]

 

 

Lope de Vega (in romancero general)



publicado por Manuel Maria às 10:32 | link do post | comentar

Domingo, 5 de Setembro de 2010

  

 

foto de Júlio Marques em Vilarmaior1

 

 

Oh fonte à beira do caminho,

De água mais clara e cristalina,

Que o doce e puro vinho.

Tuas águas consolam os bois cansados

E o ganhão da implacável canícula.

 

Tu  és a fonte da vida,

Tu és a fonte do amor.

 

Ó vós, que passeis ao largo

Vinde a beber à sombra

Desta água fresca e cristalina

Que de vê-la é uma bênção.

 

Vós que passais ao largo

Vinde ver a maravilha,

Pedras graníticas do caminho, donde

Brotam as linfas do amor.

 

  



publicado por Manuel Maria às 13:23 | link do post | comentar

 

Um obrigado à Talinha que, inexcedível, proporcionou um magnífico almoço e reunião produtiva - O livro sai para o ano, tudo correndo bem.


publicado por Manuel Maria às 03:08 | link do post | comentar

Sábado, 4 de Setembro de 2010

 

 

     Não consigo dormir, vou para a rua ver as árvores perfiladas. Minhas queridas não tenho dinheiro, a prostituição não é solução, e há alternativas melhores que aturarem bebedos e cães e os cães não usam cartão de credito, nem os bebedos vos dão perfumes caros. Estou desempregado, ontem fui inscrever-me num curso de jardineiro, na entrevista perguntaram-me coisas sobre as árvores, eu disse que já tinha sido casado com uma, mas eramos incompativeis, não tinhamos o mesmo grupo sanguineo, eu gostava de sair, jogar bilhar com os amigos e ela não gostava de sair, tinha os pés bem asssentes na terra. És um imaturo dizia ela e tu és uma pobre que não anda nem desanda, se não sais do mesmo sitio como vais ganhar a vida, não podes viver sempre á custa das intemperies. E ela respondia-me: - Tenho um bom corpo, ganho mais com as formas do meu corpo do que a lavar escadas e fica a saber que conheço muitas meninas universitarias, já ouvi muitas conversas, olha podias comprar-me um telemóvel, preciso de estar ocupada, agora não tenho tido muitos clientes, o ultimo foi um politico, um major, pagou-me em electrodomesticos, era um chato, estavava sempre a bocejar, mas o pior foi com um guarda republicano, tinha fantazias estranhas, apalpava-me e passava-me multas. Olho para ela, tenho os olhos baixos, oiço o apito da fabrica. Minhas queridas vou voltar para casa, tenho roupa no estendal, lavar roupa suja é melhor que tomar xanax. Já me ia esquecendo, trago rebuçados, podem usar o papel como protecção. As dores de garganta são profundas e o sexo oral é lirico. Boa noite e tenham cuidado com os rafeiros. Apagam-se as luzes e vai terminar o filme.

     Lobo Duarte



publicado por Manuel Maria às 23:54 | link do post | comentar

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