Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2006

 

 

 


Estamos nós
bem instalados na vida,
fazendo planos para o futuro

 e vem ela sorrateira,
 pé ante pé
 e prende-nos o fio.


E nós debatemo-nos,
esbracejamos, esperneamos,
tentando-nos  libertar,

mas ela interpela-nos:
-Anda vem, a tua hora chegou, amigo!

E nós simples marionetas,

suspensas no precipicio de Hades
 clic, clic!

sentimos o frio metálico da tesoura

-Que remédio, é a vida!-

a cortar o fio

e caímos de maduros,




de maduros...

como a fruta temporã.

 




publicado por Manuel Maria às 17:19 | link do post | comentar

Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2006

 

 

 

No cimo do muro,

uma  gata:

Uma bolinha de pêlo viva

ao sol do meio-dia

Na viração do Poente.

 

No ar:

O miar, lancinante;

O cheiro a cedro...  a flores...

A terra remexida...

 

E no passadiço,

depois de saír toda a gente,

 só nós dois

 e a saudade,

 desconsolados,

 a pensarmos em ti...

 

 



publicado por Manuel Maria às 16:54 | link do post | comentar

Quarta-feira, 20 de Dezembro de 2006

 

 

 

 

Natal! Noite de Natal!...

Noite sagrada!...

Festa das filhoses,

Dos sonhos,

Das fatias douradas!...

 

O Toco levantado no meio da praça...

Frio de rachar...

Os pingos congelados

Nos beirais

E a gente arrepiada

Só de ir à rua.

 

A missa do galo à noite...

A Igreja, Abarrotada de gente,

Cheirando a flores, a velas

No presépio, a Gruta, a Estrela,

O Menino, a Mãe, S. José,

O burro, a vaquinha, os magos

E o Padre Chico na sua casula branca a cantar:

«Glória no Céu, paz na terra,

Para a gente de boa vontade..»

 

À saída

A gente vinha a cantar,

A rir… abraçando-se,

Ateava-se o toco…

Labaredas incendiando os muros...

Gritos,

Bombas de foguetes,

Confusão,

Faúlhas a subirem no ar,

O garrafão do Zé Santo

De mão em mão,

A concertina do Zé Laranja a tocar

E todos em roda a cantar:

«Entrai pastores entrai, por esses portais adentro…

Vinde adorar o menino, que está em palhas deitado…»

 

Depois,

Cada um tomava o caminho de casa,

Espevitávamos a lareira,

Grandes troncos ardendo,

O fumeiro, por cima, a secar,

As meias das crianças penduradas na chaminé,

A família sentada, em redor da mesa,

Naquela moleza de barriga farta,

O bacalhau, as couves, as batatas, regados com o fio de azeite

O vinho novo da pipa, os doces da avó… Aletria! Arroz doce!

E lá fora grupos de rapazes, a cantarem ao desafio:

«Natal Natal… Natal Natal…

Filhós com vinho não fazem mal!...»

 

A cantiga afastando-se:

O vento a trazendo, O vento a levando…

Sumindo-se com a noite…

De ali a nada… O Carlos grande e o Carlos pequeno

Rabugentos! Cabeceando de sono!

A Fátima com a sua boneca de trapo!

A irem para a cama levados ao colo…

O Avô João sentado na cadeira de palha, ao lume,

Eu nos joelhos dele a ouvir-lhe as histórias

E a avó Maria da Luz limpando os olhos com a ponta do avental

A sacudir aquela aguadilha que teimava em aparecer-lhe…

De tanta felicidade.

 

O lume morria…

A torcida da candeia esmorecia…

O avô tirava do bolso uma goluseima, levantava-se:

«Em Nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo, Ámen…»

 

E ia-mo-nos deitar…

 

 

 



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Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006

 

  

 

Nos últimos tempos, contrariamente ao que é habitual, tenho chegado a horas a todos os meus compromissos, o que é estranho. A pontualidade, confesso, não é uma das minhas virtudes. Por isso tenho andado muito desconfortável.

Finalmente descobri o motivo: A minha Marta, cansada por tantos atrasos à saída da escola, adiantou-me o telemóvel cinco minutos. Confrontei-a, mas ela não se ficou.

-Então, pai… assim nunca mais chegas atrasado!

-Ai não? Agora que já sei, passo a compensar os cinco minutos!

Ela ficou a pensar… a pensar… mas não respondeu.

Eu lá compensei os cinco minutos, mas estranhamente continuei a chegar a tempo. Fui confirmar pelo relógio da sala.

Ela adiantou-me o telemóvel outros cinco minutos!

 

 

 



publicado por Manuel Maria às 10:06 | link do post | comentar

Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2006

 

 

 A Maria tem dois filhos

Pequeninos, com intervalo de meses

O mais velho, -a cara chapada do pai-

Trá-lo ela pela mão

E o caçula ao colo.

 

Puxou-lhe o mais velho a saia

-Mãe… dá um chupa!

E a Maria impacienta-se

-Não!... A mãe não tem tostão!

O filho bateu o pé, barafustou

-Anda mãe…vá lá!...

Novo puxão na saia

-Não!... Já disse!

O caçula meteu-lhe a mão no peito

-Não!... Tira!...

Choraram os dois, resmungaram…

Ela já não sabe o que fazer!

 

Abre a carteira, procura…

Tira uma placa de níquel,

-Toma… vai lá pedir ao Nuno

E o miúdo desapareceu na porta do comércio.

Voltou com um chupa, vermelho, enorme!

-Olha mãe!... –exibindo-o – sabe a morango! 

 

Tanto o caçula manobrou, e revolveu

Que um mamilo pulou para fora

E lhe sujou a cara

De respingos de leite

Ele abocanhou-o

Olhou para a mãe,

Esta alisa-lhe os dois fios de cabelo

-Vá…dorme…

Revirou os olhos

A rir-se para o irmão…

E adormeceu.

 

A Maria senta-se na pedra.

Um suspiro:

-Haaiiii…

Exausta.

 

 

 



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-Vou deixar a vida de solteiro,

Tamêu. O meu patrão, o Senhor Anthero,

Quer que eu case com a Bia, a sua criada.

-« A Bia, é bonita e bem prendada-

disse-me ele - casa com ela

e não penses em mais nada:

cama, quarto, anel,

fica tudo por minha conta…»

Já me entregou a loja

Para eu ir arrumando a minha vida…

Já a encheu de mercadorias… de bebidas…

Já me deu «alta».

Mas traz-me numa afronta!

Quer que eu case com a Bia,

Neste mês sem falta!...

 

Sérgio Frusoni (poeta cabo-verdiano)

 



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Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006

 

 

 

O chão fervendo, o céu em braza.

O Júlio vai pelo caminho, à frente,

A Teresa segue-o mais atrás,

Vinhas de ambos os lados,

Nem uma casa, nem uma alma:

Ao largo da fonte

Ele abranda o passo.

 

- Demoraste tanto!... raios!

-Minha mãe anda desconfiada…

Abraça-a pela cintura… aperta-a

-Já tinha saudades tuas… Tantas!

Beija-a na boca

-Dos teus beijos… Assim!...

Outro beijo

 -Assim!... Assim!

Agarra-lhe a mão

-Anda… Vem!

Sentam-se no banquinho de pedra

Lá onde as silvas trepam

Pela velha oliveira acima

-Como eu te amo…. Porque demoraste?

A cara afogueada

Peito a saír da blusa

-Já te disse!... Foi a minha mãe! …

….

E ali ficaram os dois, sentados.

Ele cada vez mais guloso…

Ela deixando-se ir

Na cantiga dele...

 

 



publicado por Manuel Maria às 16:56 | link do post | comentar

 

 

 

                                         (Na morte de Manuela Porto)

 

            Devia morrer-se de outra maneira.

            Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.

            Ou em nuvens.

            Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos os amigos mais íntimos com um cartão de convite para o ritual do Grande Desfazer: «Fulano de tal comunica a V. Ex.ª que vai transformar-se em nuvem hoje às 9 horas. Traje de passeio».

            E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos escuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir à despedida.

            Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio. «Adeus! Adeus!»

            E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento, numa lassidão de arrancar raízes… (primeiro, os olhos… em seguida, os lábios… depois os cabelos…) a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se em fumo… tão leve… tão subtil… tão pólen… como aquele nuvem além (vêem?) – nesta tarde de Outono ainda tocada por um vento de lábios azuis…

 

José Gomes Ferreira

 

 

 



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Terça-feira, 12 de Dezembro de 2006

 

 

   

Foi por meados de Julho, fazia um calor desgraçado, o padre da freguesia resolveu arrancar as batatas da veiga que tinha junto ao Côa.

Era uma longa tira semeada de batatas, bandeiras de milho a separar as leiras, algumas abóboras e pés de feijão vermelho de permeio. Ao fundo a água do açude a correr em fio, no topo o cabeço repleto de giestas negrais, e o caminho descendo o barranco, quase a pique. Por todo o campo, ainda um agradável cheiro a rosmaninho.

Começaram pela madrugada, um grande rancho de homens e mulheres, e toda a manhã arrancaram as batatas à enxada. Pelo meio do dia fizeram uma pausa. Estenderam o farnel à beira do rio e merendaram à fresca dos freixos: arroz de perdiz, pão caseiro, queijo e beberam palhete da adega do padre. Os bois pastaram, mansos, na pequena lameira, junto às poldras. À meio da tarde as mulheres fizeram a apanha: miudinhas para um saco, medianas para outro e grossas à parte. Os homens ensacaram, coseram e carregaram o carro. Ao todo setenta talegos bem apertados entre os estadulhos, abóboras e feijoeiros em cima. O padre estava satisfeito. A produção fora abundante.

O criado Joaquim apertou a carga, pegou na aguilhada e chamou os bois. A meio do barranco eles estancaram ao peso do jugo. O Joaquim incitou-os:

- Anda boi! Vai boi, - limpou o suor da testa, pôs uma pedra atrás do rodado - vamos iça! Iça! – depois outra – anda boi! Anda!

Os bois imparam, num descomunal esforço, patas fincadas em terra, espumando pelas ventas, mas as rodas não desandavam.

-Ah boi! Iça! Iça boi! Vá, Iça! – Berrou o Joaquim. E os Bois, não se moviam!

 O padre, aflito, levou as mãos à cabeça:

-Que todos os santos nos ajudem – e procurando o lenço na batina - este calor não é bom para gente, quanto mais para bichos!

O Joaquim impacientou-se. Empunhou a vara:

Isto não vai lá com rezas a Deus , mas ao diabo! E virando-se para o patrão - ora tape lá os ouvidos senhor abade, não vá ouvir o que não quer!

E picando os bois no lombo até lhes fazer sangue - Ah bois dum caralho! - E picando com mais força ainda - andais ou não, filhos duma puta? E picando violentamente – Ah bois dum cabrão!

Fartos de tantas injúrias, num Hercúleo esforço os bois lá arranjaram forças e num ímpeto, arrancaram barreira acima.

O padre, corado de vergonha, mas contente, levantou a saia da batina e correu atrás do carro:

- Irra homem… mais devagar! – e chegando-se ao Joaquim, com uma palmadinha nas costas - Abençoadas palavras essas, que até os bichos entendem! – e levantando a mão – Eu te abençoo, meu filho… que foram muito bem deitadas!

E o Joaquim naquela bonomia de resposta pronta, que lhe era tão peculiar, atalhou logo:

- Haverá lá coisa melhor, que ter Deus em patrão?

O padre sorriu…

 

 

 



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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2006

 

 

 

 

 

 

Sobe a velha Rua da Sé

Às dezoito em ponto, como de costume

A Rosinha dos limões,

No seu vestido de chita às bolinhas

Encarnadas, sapatinho de verniz no pé,

Cabelo apanhado por duas fitinhas

Com limões estampados, e no ar,

No ar deixa um perfume

A rosas… doce ao respirar!

 

Quando chega as escadinhas

Que existem ali à Catedral,

Os rapazes apertam-se como sardinhas

Para verem da montra do Amaral

Passar a Rosinha dos limões

De curvas tão bem feitinhas.

 

Ouvindo o piropo infame

-Era sem espinhas!-

Que um dos rapazes lhe diz,

-Ai era rico? Comias-me?-

Desafia de mãos nos quadris

Parando a meio da calçada.

Passa o eléctrico da Graça,

Largando um marinheiro,

Que lhe assobia do Evaristo

E ela respondendo com pirraça

-Ora não queiram lá ver isto?!

Mas que sina a minha!-

Segue o caminho apressada

Tocando à campainha

Do 22 da Rua do Limoeiro.

 

 

 

 



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Sábado, 9 de Dezembro de 2006

 

 

 

Star cofee

em chávena escaldada,

quentinho, a fumegar...

-É um!

 

 

 

Star cofee

em chávena escaldada,

castanho, cremoso...

-É um!

 

 

Sabe a mulata,

cheira a roça,

sente-se o batuque

-Essa música

que mais ninguém ouve.

 

 

 

Star cofee

sabor a mulata,

cheiro a roça,

som de batuque...

-É um!

 

 

 

Hoje sou eu

Quem dança à chuva

Com os pés descalços

Lá fora, no terreiro....

 

 

Este cheirinho

Sou eu, dançando...

Sou eu, ao som do batuque

 

 

... Star cofee

em chavena escaldada.

 

 

 

 



publicado por Manuel Maria às 16:52 | link do post | comentar

 

 

 

DEZEMBRO-1907

 

Encontro-o hoje em Lisboa ( ao Guerra Junqueiro), emagrecido, com um velho ca­saco comprado num adelo, e muitas rugas, finas como linhas, ao canto dos olhos. E, como o José de Figueiredo lhe fale no Rodin:

- É verdade, passei um dia inteiro com o Rodin, a explicar­-lhe a sua obra. Disse-lhe: Você é um grande artista, mas exac­tamente, como em todos os grandes artistas, a melhor parte da sua obra é inconsciente. Porque em todos nós a razão é na­da, o que é grande é o inconsciente. Aquela cabeça que você tem no Luxembourg; emergindo da pedra - é assim, é aqui­lo... Mas falta-lhe não sei quê de simbólico que ligue a cabe­ça à pedra. Assim choca, é brutal. É como o Pensador, a está­tua que está no Panthéon. Toda a crítica francesa tem tentado explicar aquela estátua, e ainda ninguém disse as palavras ne­cessárias. Eu lhas digo: Aquilo não é o Pensador, nem o Pensamento: é o primeiro pensamento em cabeça de homem. Dispa você um tipo de verdadeiro pensador, Kant, o Dante, por exemplo, e encontra um corpo deformado. Porque o pen­samento pesa mais do que montanhas. Devora. O que você fez foi uma besta, um gorila, um homem capaz de arrastar calhaus. Pois bem: inconscientemente fez uma grande obra de arte: o primeiro pensamento na cabeça de homem. Esse pri­meiro homem atlético, ao deparar com o primeiro pensamen­to, essa flor abstracta, fica dominado, subjugado: cai-lhe o Atlas em cima e esmaga-o... E adeus, são horas de partir pa­ra o comboio.

Raul Brandão in memórias



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Terça-feira, 5 de Dezembro de 2006

 

 

 



No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.

Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de andrade in «Os Amantes Sem Dinheiro» (1950)



publicado por Manuel Maria às 10:33 | link do post | comentar

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