Terça-feira, 13 de Setembro de 2011

 

 

     Antioquía, que chegou a ser a capital do cristianismo no Oriente, tinha, nos seus arredores, um célebre templo dedicado a Apolo, onde se proferiam oráculos.

No tempo de Constantino (séc. IV)  o cristianismo passou a relegião dominante, devido às perrogativas concedidas pelo imperador, começou a ocupar e consagar à nova fé vários templos pagãos,  remetendo a religião antiga para os campos (pagus).

     Foi o que sucedeu com o templo de Apolo, em Antioquía, em cujo àtrio foi construída uma Igreja com a campa de Babylas, bispo mártir de Antioquía.

     O  imperiador Juliano (331-363), que fora educado a paixão dos clássicos e deuses helénicos pelo seu pedagogo e tutor Mardónio, e instruído seretamente nas teurgias do paganismo místico, pelo neoplatónico Máximo de Éfeso, sucedendo no trono imperial ao seu tio Constantino, apostatou, estabelecendo o paganismo com um sistema eclesiástico, que imatava o da igreja cristã, e perseguiu o cristianismo.

     Chegando em 362 aAntioquía, em passagem para a campanha militar  do Médio Oriente, Juiano quis consultar o oráculo de Apolo, o que os sacerdotes recusaram, devido à profanação do átrio do templo.

     Juliano mandou então derrubar a Igreja e transportar os restos de Babylas para  lugar original, bem como limpar e purificar o precinto.

     No fim deste mesmo ano, um grande incêndio, atribuído a vingança dos cristãos, destruíu parte do templo e a famosa estátua de Apolo, obra do escultor ateniense Bryaxis. 

    O poema de Konstandinos Kavafis, que se segue, glosa estes factos históricos e o triunfo, muitas vezes, pelo ferro e fogo, do cristiaismo emergente, que de religião perseguida se tornou, na viragem do séc. III para o IV, em religião persecutora:

 

Ficámos atónitos em Antioquia quando soubemos

Dos novos sucessos de juliano.

 

Apolo ele próprio exoplicou-se, em Dafne!

Oráculo não queria dar (estamos nas tintas!).

Não tencionava falar mnticamente, se primeiro

Não limpassem em Dafne seu recinto sagrado.

Incomodavam-no, declarou, os mortos vacinais.

 

Em Dafne havia muitas campas.-

Um dos ali enterrados

Era o prodigioso, da nossa igreja glória,

O santo, o triunfadosr mártir Babylas.

 

A este aludia, a este temia o falso deus.

Anquanto o sentia perto, não tinha lata

Para dizer os seus oráculos; nem pio.

((Aterram os nossos mártires aos falsos deuses.)

 

Arregaçou as mangas o irreverente Juliano,

Ficou nervoso e esganiçava-se: «levantem-no, levem-no

Tirem-no imediatamente a este Babylas.

Como ´de possível? Apolo incomoda-se.

Levem-no, peguem nele já.

Desenterrem-no, levem-no para onde quiserem.

 

Tirem-no, deitem-no fora. Andamos a brincar?

Apolo disse que se limpe o recinto sagrado.

 

Tomámo-la, trouxemo-la a santa relíquia para outro lugar;

Tomámo-la, troxemo-la em amor e honra.

 

E deveras bem prosperou o precinto sagrado.

Foi sem tardança, quando grande

Incêndio se propagou; um terrível incêndio:

E queimou-se o precinto sagrado e Apolo também.

 

Em cinzas o ídolo; para varrer, com o lixo.

 

Explodiu Juliano e fez correr o boato-

Que outra coiusa havia de fazer – que o incêndio fora posto

Por nós cristãos. Deixem lá que diga.

Não houve provas; deixem lá que diga.

O fundamental é que explodiu.

 

Konstandinos Kavafis

 



publicado por Manuel Maria às 15:55 | link do post | comentar

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