Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

 

 

 

            Era um grande proprietário, com terras nos arredores de Coimbra e Celorico da Beira e do outro lado de lá do mar, no Brasil e mandou o rapaz tirar o liceu em Coimbra para depois frequentar a Universidade.

            O rapaz perdeu-se no ambiente da boémia coimbrã e nunca chegou a frequentar a faculdade, mas tornou-se num dos mais famosos músicos coimbrões do seu tempo. Casou e teve um filho que amava em extremo e para o qual compôs e escreveu a mundialmente conhecida canção “menino de oiro”.

            Depois o rapaz amadureceu; o menino cresceu, regressando os dois ao Brasil, nunca mais se ouvindo falar deles.

            Muitas décadas depois o José Niza fez uma digressão com o seu grupo de Coimbra pelo Brasil e actuaram numa pequena cidade do interior onde interpretaram o “menino de oiro”.

            No fim da actuação acercou-se do José Niza um velhinho de cabelo esbranquiçado, curvado no peso da sua idade, mas com um brilho de criança dançar-lhe nos olhos, que lhe segredou ao ouvido:

            -Saiba o senhor que foi meu pai quem escreveu e compôs esta canção – e perante o espanto do José Niza, explicou com um sorriso nos lábios – o menino d’oiro era eu… sou eu o menino d’oiro de que fala a canção!

 

 



publicado por Manuel Maria às 11:06 | link do post | comentar

1 comentário:
De ana a 24 de Setembro de 2008 às 11:53
Que bom, ter essa certeza do amor! E tê-la assim, transformada em obra de arte. O amor feito poema e o poema feito canção...

Mesmo para quem não teve canção, é sempre um consolo pensar que, também para nossos pais, fomos outrora meninos d'oiro .


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