Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

 

 

 

     História para adormecer o netinho, quando se reformar depois de perder eleições de 2009:

 

Era uma vez,

um pobre homem

que vivia num humilde casebre

rodeado de uma pequena granja,

com a mulher, um filho de tenra idade

e duas vacas

desengonçadas

e magras.

 

Sustentavam-se do que a granja dava,

o que nos dias magros

pouco mais era que queijo

do leite das vacas.

 

Por isso

Aquilo de que o homem

mais gostava na vida, 

era de queijo.

 

Tinha a dispensa cheia de queijo,

guardava queijo debaixo da cama,

sonhava com queijo,

respirava queijo,

comia queijo ao pequeno-almoço,

ao almoço

e ao jantar!

 

E claro, depressa chegaram ao casebre

todos os ratos da granja

dispostos a comê-lo

também.

 

Um dia,

o homem,

encontrou um desses animaizinhos

dentro do queijo

que estava a comer.

 

Zangado,

chamou a mulher

para que o ajudasse a livrar-se

de todos aqueles ratos.

 

Sentados à mesa

estiveram todo o dia e toda a noite

a pensar… A pensar…

até que encontraram uma solução:

 

Encher o casebre de gatos!

 

Dito e feito.

trouxeram tantos gatos

que os ratos, quando os viram,

pernas para que vos quero,

fugiram para a cochinchina.

 

O homem ficou muito contente,

Mas a sua alegria não durou muito:

os gatos sentiram-se tão bem no casebre

que não se queriam, ir embora.

 

Não paravam de correr para cima e para baixo

e até arranharam os chinelos favoritos do homem.

 

Então, o homem pediu

à mulher

que descobrisse uma forma

de se livrarem deles.

 

 

Desesperados,

Sentaram-se todo o dia e toda a noite

a pensar…. A pensar…

Até que encontraram a solução:

Encher o casebre de cães!

 

Dito e feito.

Trouxeram tantos cães

que os gatos, quando os viram,

pernas para que vos quero,

fugiram para a cochinchina.

 

O um homem estava muito contente,

mas a sua alegria durou pouco:

os cães sentiram-se tão bem no seu casebre

que já não queriam sair.

 

Passavam o dia

a ladrar aos vizinhos, e pior:

faziam xixi e cocó

por todos os cantos!

 

O homem que nunca tal coisa vira;

Pediu à mulher

que encontrasse

uma maneira de se livrarem

de todos aqueles cães.

 

 

Desesperados,

Sentaram-se todo o dia e toda a noite

a pensar…. A pensar…

Até que encontraram a solução:

 

Encher o casebre de leões!

 

Dito e feito.

Trouxeram tantos leões

que os cães, quando os viram,

pernas para que vos quero,

fugiram para a cochinchina.

 

 

O homem

Sentia-se importante, rodeado de feras,

Mas a sua satisfação pouco durou:

Os leões eram tão ferozes que os vizinhos faziam xixi de medo

Só de os ouvir rugir!

 

Mais uma vez, o homem pediu ajuda à mulher que o livrasse dos leões.

 

Desesperados,

Sentaram-se todo o dia e toda a noite

a pensar…. A pensar…

Até que encontraram a solução:

 

Encher o casebre de elefantes!

 

Dito e feito.

Trouxeram tantos elefantes

que os leões, quando os viram,

pernas para que vos quero,

fugiram para a cochinchina.

 

Desta vez, a alegria do homem durou pouco:

os elefantes eram tão gordos

que dentro do casebre

não cabia uma agulha!

 

Rapidamente pediu à mulher ajuda

Para se livrar de todos aqueles elefantes.

 

 

 

Desesperados,

Sentaram-se todo o dia e toda a noite

a pensar…. A pensar…

Até que o filho lhes disse

aquilo que toda as crianças sabem:

 

-Os elefantes têm muito medo de ratos!

 

Como naquele casebre

Eram todos

Um tanto ou quanto

Lentos de compreensão,

mandaram vir outra vez os ratos.

 

Mas os ratos voltaram a comer o queijo;

e para expulsar os ratos, tiveram que trazer os gatos;

e para expulsar os gatos, trazer os cães;

e para expulsar os cães, trazer os leões;

e para expulsar os leões, trazer os elefantes;

e para expulsar os elefantes, trazer os ratos…

 

E assim,

Sem nunca mais acabar!

 

 

(Adaptação a uma adaptação de Joan de Boer a um conto tradicional árabe)

 

 

 



publicado por Manuel Maria às 13:30 | link do post | comentar

1 comentário:
De ana a 2 de Junho de 2008 às 22:46
Mais do que a deliciosa "lengalenga ", se é que assim se pode chamar, encantou-me a dedicatória.

Ironias com finesse d'esprit são miminhos para o intelecto.


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