Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007

 

 

 

  

 

A obra mais popular de Aristóteles é a Ética Nicomaqueia, assim chamada por ter sido traduzida por Nicómaco, que trata da vida feliz e se divide em dez livros, subdivididos por capítulos, onde se desenvolvem alguns temas do aspecto principal.

            O livro VIII versa sobre a amizade, que Aristóteles considera «indispensável à vida». Três são os tipos de amizade, segundo ele:

            A baseada no interesse, de curta duração, porque só dura na medida do interesse mútuo e enquanto este existe; a baseada no prazer mútuo, frequente entre os jovens que dura enquanto ambas as partes se julgarem mutuamente interessantes; e a «perfeita», que existe entre as pessoas «que querem o bem dos amigos sem esperarem nada em troca..»

            Esta última, porque é baseada na virtude, é estável e duradoura, «por conter em si todas as condições legítimas da amizade». Estas amizades são provavelmente raras, por haver poucas pessoas capazes de as experimentar, porque exigem tempo e intimidade. Só «quando o amor está presente na medida certa, é que os amigos são permanentes e a amizade é duradoura». «Os amigos desejam fazer bem a cada um, como sinal da sua amizade e bondade», porque «é mais próprio de um amigo fazer o bem que recebe-lo, já que os actos de generosidade são parte essencial do homem bom e da virtude, e que é mais nobre fazer o bem aos amigos que aos estranhos, que o homem bom necessita de alguém a quem fazer o bem.». Em suma, os amigos com bom carácter e generosos tornam-nos homens melhores.

            Depois, a respeito da quantidade de amigos, que se devem ter, diz Aristóteles que nos devemos sentir felizes com poucos amigos, porque a amizade exige intimidade e esforço tanto nos bons como nos maus momentos. Por conseguinte é idiota quem se gaba de ter muitos amigos; quando não tem nenhum, porque os tem em demasia!

            O filósofo também descreve as circunstâncias que levam à ruptura da amizade: Quando o carácter de uma pessoa se transforma, é fácil por termo a uma amizade baseada na utilidade, porque, diz ele, o entendimento deixa de existir e não há razão para prolongar a camaradagem.

            Mas nas amizades baseadas no carácter, a decisão é mais difícil de justificar. Aristóteles aconselha em todo o caso os amigos desavindos a melhorar-se mutuamente. Mesmo que a amizade se não mantenha, as duas partes devem-se mútuo respeito em nome da amizade que os uniu.

            Como tive a felicidade de estudar profundamente Aristóteles e os outros filósofos, intui bem estes ensinamentos que segui ao longo da minha vida:

Assim, os meus amigos contam-se pelos dedos de uma só mão, mas são o meu bem mais precioso, porque todos eles são dotados de um excelente carácter e generosidade. Aprecio-os a todos pela altura das árvores ou a transparência dos rios que habitam nas suas almas! Quero-lhes a todos pela sombra que proporcionam e pela frescura que trazem, aos dias mais áridos da minha existência.

 

           

 

 



publicado por Manuel Maria às 11:25 | link do post | comentar

1 comentário:
De ana a 12 de Outubro de 2007 às 17:07
Frescura e ternura é ler o que diz dos amigos.
Prazer é a lição de filosofia.
Vale sempre a pena passar por aqui...


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