Quinta-feira, 20 de Julho de 2006

 

 

Mapa proposto em 1947 pela ONU

 

          Na I.ª GG, a Palestina, que tinha 1.000.000 de árabes e 100.00 judeus , passsou a ter em 1947, 1.200.000 árabes e 600.000 Judeus devido à política massiça de imigração implementada pelo movimento internacional sionista, com apoio das potências ocidentais. A proposta de partilha dava ao judeus 57% do teritório e aos árabes 43%. É claro que os árabes não podiam aceitar. A desporporção era enorme!

     Toda esta "embrulhada" no Médio Oriente começo no final do Séc. XIX, quando o judeu Theodoro Herzl propôs a compra da Palestina ao Sultão Abdul Hamid II, do qual ouviu a seguinte resposta:

     Os judeus podem poupar os seus milhões porque quando o meu império for desmembrado, provavelmente receberão a Palestina em troca de nada ... ... mas só o nosso cadáver poderá ser esquartejado ...

    As Memórias do último sultão otomano, anotadas por sua filha, a princesa Aïché Osmanoglou, esclarecem estas atividades conspiratórias no derrube do império otomano. Há quem veja nela  uma conspiração judeo-sionista. Entre os traidores que o rodeavam, Hamid II denunciou Calouste Gulbenkian * — com quem teve contato através do dissimulado Mehemet Cavit Bey, ministro das Finaças Otomano, da seita dos Doenmeh, judeus islamizados de Salónica, que pertencia ao movimento dos "jovens turcos" que derrubaram o império Otomano— por ter contribuído para a sua deposição em 1909. De referir que O próprio pai da pátria Turca, Kemal Ataturk, dizem, era de origem Doenmeh. Esta seita embora exteriormente islâmica, privadamente observava um judaísmo messianíco. Pelo que se veio a passar posteriormente, não é de enjeitar que já houvesse uma promessa secreta ao movimento sionista, da instauração de um estado judaico na Palestina. Daí as palavras da filha do último sultão quanto ao envolvimento judeu na queda do Império, não serem assim tão descabidas:

       Outras potências menos evidentes tinham engrossado as fileiras dos meus adversários. Herzl? Depois de ter compreendido que jamais obteria de mim a Palestina, tinha-se juntado às forças na sombra para me abaterem. Um dos quatro deputados que vieram anunciar a minha deposição foi Carasso, um judeu muito próximo de Herzl. Aliás, Carasso não se ficou por aí, visto que também é o elo de ligação entre a União e Progresso e a franco-maçonaria, à qual pertence ... como você mesmo, meu caro Bey! .... in  Avec mon père le sultan Abdulhamid

       A Inglaterra na altura da guerra já colonizara o Egipto e a França dominava cultural e politicamente a Síria. Por isso  fixaram a futura devisão desses dois territórios entre si, para o pós-guerra pelo acordo secreto Anglo-Françês, sykes-Picot  de 1916.

     Por ele partilhavam os despojos do império otomano e transformava a palestina num condomínio franco-Britânico.    O presidente Wilson dos EUA, defendedo direito à independência dos povos autócones, não aceitou esta partilha.

    Mais tarde os Ingleses  quiseram rever o acordo com os Franceses para controlarem a projectada linha férrea Bagdad-Haifa,  e esoarem o petróleo de Mosssul pelo mediterrâneo.

     Aproveitando a objecção Americana, subvertendo-a, os Ingleses planeram a ocupação militar da palestina, justificando-a com a posterior criação de um estado judaico, fazendo ao mesmo tempo várias declarações formais no sentido de apoio à auto-determinação. Era afinal uma ocupação altruísta, quem tinha ligitimidade moral para se opôr?

     É aqui que entra o movimento sionista internacional, na consolidação desta estratégia britânica. 

        Durante a dissolução do Império Otomano, as várias organizações judias que já tinham procurado outros meios e outros associados para a restauração do estado judeu, viram na estratégia britânica uma boa oportunidade de legitimação e aproveitaram as declarações de intenção formais no sentido da auto-determinação. 

        A declaração Balefour em novembro de 1917,  foi uma dessas declarações formais no sentido da auto-determinação, para apaziguar Wilson e justificar a ocupaçao militar da palestina. 

     Asssim, Balfour assinou esse, dos muitos "papéis", "contratos" e "acordos" que iriam incendiar o Médio Oriente.   O bilhete, datilografado em papel comum, sem o timbre ou o selo oficial do "Secretário de Assuntos Estrangeiros do Governo de Sua Majestade" é dirigido  ao banqueiro internacional. Rothschild, cujos descendentes continuam a cavilosa tradição, muito mais aquele ouro judeu recusado por Hamid II, do que a prosaica "simpatia britânica com as aspirações sionistas". Trinta anos depois, conseguiram pela aprovação na ONU, uma espécie de  "registro em cartório" desse conluio. A própria votação da criação do estado Judeu em 1947 tem episódios caricatos de subornos, chantagens e manipulações. A votação teve de ser adiada, para permitir a actuação dos agentes sionistas junto dos representantes das nações votantes.

        Eis, o teor do bilhete datilografado, a famosa  "Declaração Balfour":

      Prezado Lord Rothschild,

   Tenho muito prazer em transmitir-lhe, em nome do governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia com as aspirações sionistas que foram apresentadas ao Gabinete e aprovadas por ele:

   "O Governo de Sua Majestade vê com simpatia o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu e envidará seus melhores esforços para facilitar a conquista desse objetivos, ficando claramente entendido que nada será feito que possa prejudicar os direitos religiosos e civis das comunidades não judaicas existentes na Palestina ou os direitos e condições políticas usufruídas pelos judeus em qualquer outro país."

   Agracederia que o senhor levasse essa declaração ao conhecimento da Federação Sionista.

       Atenciosamente,

    Arthur James Balfour

     As consequências do inocente bilhetinho, estão à vista, não é?

Nota:

* Pela traição Gulbenkian seria compensado pelos Britânicos com 7% nas explorações petrolíferas do Iraque.

 

 



publicado por Manuel Maria às 15:16 | link do post | comentar

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